Tango

O tango, em todas as suas formas, seja para salão, show, “contemporâneo” ou quaisquer híbridos, sempre conquistou não só aos turistas, mas aos amantes da música e da dança. Surgiram desde o início mitos distorcidos, variantes e interpretações que desviaram esta dança de seu caminho original. O tango de salão (salões de baile) não tem saltos, nem movimentos espalhafatosos. Distancia-se, portanto, do tango-show, mais conhecido e apreciado pelos leigos. O tango de salão não é combinado. Cabe ao parceiro conduzir sua dama, obtendo da mesma acompanhamento harmonioso.

Em outras palavras, não há necessidade de se combinar previamente seqüências e “sinais” para figurações. O tango de salão está ligado ao lazer, ao sentimento de se ouvir e interpretar a música e, enfim, à arte de exprimi-los. Em contrapartida, o tango-show (e de competição) agrega a necessidade de raciocínio rápido, ação e reação, uma natureza racional, exigente e perfeccionista. Pode conter “pas-de-deux” ou acrobacias; é coreografado e exaustivamente ensaiado.

A maioria dos bons dançarinos têm conhecimento de ballet clássico para aperfeiçoar a técnica. Isso porque o entendimento entre os parceiros deve ser perfeito, pois, devido à velocidade e precisão de movimentos, a possibilidade de quedas e contusões é acentuada. Há quem chame os números modernizados de “dança contemporânea”, por se afastarem demasiadamente do tango-danza tradicional.

O TANGO É:

Matemática: é numérico e exato, com seu ritmo, suas contagens e seqüências.

Física: leis de força, equilíbrio e dinâmica.

Geometria: direcionamento, ocupação espacial, preocupação estética e eventual simetria.

Estes aspectos racionalizados tornam o tango menos abstrato, facilitando a compreensão de seus parâmetros.

O tango foi descrito como: romântico, dramático, exótico, sofisticado, simples e absurdo… O tango tem uma história longa, com períodos de grande popularidade e uma individualidade e fascinação marcantes. O tango em forma de dança foi criado pelos gaúchos, esses caleiros brilhantes originários da costa oriental da Argentina. O ritmo veio da altamente rítmica e melodiosa música tocada para eles quando descansavam nas suas cantinas e tavernas. Se caracteriza por um compasso 2/4 e é tocado com um staccato incomum em cada batida. Tão grande era sua popularidade que depois, pouco antes da primeira guerra, a dança foi proibida na Argentina. Aparentemente tinha perdido sua simplicidade nativa e se tornado muito chamativa. O veto teve êxito e o tango reapareceu em Paris, particularmente em boates e restaurantes.

O estilo foi descrito como sofisticado e muitos admiraram a autêntica atmosfera criada pela influência de violonistas e orquestras nativas. Sua popularidade logo se expandiu para a Inglaterra em chás de tango ou aonde havia espaço. O hotel Savoy foi um dos primeiros a introduzi-lo, para isso contratou músicos excelentes. Exibições eram realizadas nos teatros e clubes de dança e os professores da época incluíram nos seus programas essa dança nova e excitante.

Porém com a declaração da guerra em 1914, sua popularidade diminuiu e demorou um bom tempo para que fosse incluída nas competições e eventos importantes da época. Em 1921 o filme “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse trouxe o romântico e fotogênico Rodolfo Valentino chamando a atenção de todo o mundo para o tango dançado por ele. Apesar do impacto o público em geral não se sentia inspirado para imita-lo e os próprios dançarinos profissionais estavam envolvidos com outros ritmos e danças da América. Porém alguns professores visitaram Paris e prosseguiram seus estudos do tango e notaram que a dança deveria ser mantida de alguma forma na Inglaterra e assim o estilo Parisiense foi unificado.

A variedade de passos era grande, mas era difícil ensinar ao aluno comum, e só os entusiastas levaram isto a sério. Esta era a situação nos meados de 1930 quando uma nova interpretação foi apresentada por um casal de competidores alemães que apareceu em Londres pela primeira vez. Através de um vigor, efetuam o staccato e aceleram a música e num deslizar que prolonga o passo largo, a dança assumiu uma nova identidade e todo mundo concorda que enquanto guardava seu caráter especial, era uma dança que parecia elegante e de possível assimilação. Esta tese provou estar correta e logo este tango estava sendo dançado pelos competidores e ensinado nas academias. Devemos admitir que muito tempo levou para que com interpretações diferentes, tivéssemos uma característica bem definida da magia do tango.

Confira uma parte de nossa aula de tango com a Professora Dirce Cunha e o professor Claudio Affonso.


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